Artigo – Tempo

Por: Voila Marques

A primeira coisa que um talvez futuro contrabaixista deve fazer é analisar sua infra-estrutura para começar ou não o estudo do contrabaixo. Aí vão duas perguntinhas básicas:

1) Você vai ter tempo para estudar? Sim ou não? Quanto? Onde?

2) Você tem contrabaixo? A escola tem e o disponibiliza para estudo? Quais as possíveis soluções para quem não tem contrabaixo?

a) Uma pessoa que trabalha 8 horas por dia precisará ver se terá disposição para estudar o contrabaixo regularmente depois do trabalho.

b) Um estudante precisará ver se terá uma brecha para o estudo regular do instrumento. Se for época de pré-vestibular, a situação será ainda mais complicada.

Não se esqueça de contabilizar o tempo que você usualmente fica fora de casa e também o deslocamento para estudar caso você não tenha o contrabaixo em casa. Caso você se enquadre nos modelitos acima e queira estudar contrabaixo para que ele seja uma atividade de lazer ou mesmo para diminuir o estresse natural da vida, converse com o seu futuro professor, e seja franco com ele.

Muitos professores e muitas escolas de música não aceitam alunos com esse tipo de objetivo, e isso evita aborrecimentos “multi-laterais” no futuro. Para quem só pode estudar um instrumento nos intervalos de almoço no trabalho ou escola, talvez uma sugestão seja optar por um instrumento portátil como um violão, uma flauta-doce ou mesmo o canto. Para os que só têm a noite para estudar, o contrabaixo com surdina (objeto baratinho, que abafa o som do instrumento) não causa desavenças com os vizinhos, desde que o estudo se amolde a um horário “tolerável”, é claro!

No início do estudo você precisará de, no máximo, meia hora de estudo por dia, mas esse tempo vai aumentando gradativamente, conforme a adaptação ao instrumento e a modificação das exigências técnicas por parte do seu professor.Dependendo dos seus objetivos, um mínimo de 2 horas de estudo por dia (5 a 6 vezes por semana), é aconselhável. Isso só para o contrabaixo, fora as outras matérias, ouvir e/ ou tirar músicas, etc.

Se você não vai ter tempo para isso, talvez seja interessante assumir o contrabaixo como um hobby (não sem antes falar sobre essa possibilidade com o seu futuro professor) ou trocar de instrumento, mesmo que temporariamente, mas se manter perto da música até a situação permitir que você estude contrabaixo.

Viver com alguns sonhos alimenta a esperança, e esse pode ser um caminho para que você não desista de vez de ser músico. Muitos grandes músicos também começaram por acaso em seus instrumentos, pois inicialmente queriam outro, mas acabaram se encantando pelo “substituto”.

Bottesini, um grande virtuosi do contrabaixo começou assim: ao entrar para o Conservatório de Milão, com 14 anos, ele teve que escolher entre o fagote e o contrabaixo, sendo que até então ele era corista e violinista. Quero dizer com isso, que se você resolveu ser contrabaixista mesmo, vá em frente! Se precisar optar por outro instrumento temporariamente, pense que muitos músicos já passaram por isso, e que o objetivo de ser contrabaixista pode fazer com que você lute com mais garra por isso, ou até que você descubra um outro instrumento na sua vida. Se você precisar escolher outro instrumento definitivamente, pense que o instrumento é só um meio de você chegar a algo muito maior: a Música.

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