Artigo – Sobre professor, Escolas e auto-didatismo

Por: Voila Marques

Algumas pessoas optam por estudar contrabaixo sem um professor, na esperança de que uma “quarentena” de alguns anos assim, ou de que uma auto-imersão contrabaixística os faça tocar contrabaixo melhor…

As aulas regulares com um professor de contrabaixo são importantíssimas para o desenvolvimento instrumental e musical do aluno, além de diminuirem Consideravelmente os riscos de tensionamentos, tendinites e outras “ites”, associados aos movimentos repetitivos, e de tensionamentos associados à falsa necessidade do uso da força para tocar.

Muitos contrabaixistas profissionais também optam por aulas ou masterclasses esporádicas com professores de contrabaixo, como forma de reciclar e aumentar seus conhecimentos técnicos e/ou musicais, e/ou diminuir tensionamentos.

O ensino do contrabaixo acústico vem sendo feito há mais de 03 séculos. A partir desses ensinamentos e seus resultados característicos, surgiram as escolas de contrabaixo.

As escolas de instrumento são as “linhas” teóricas e práticas do ensino do instrumento, que englobam a técnica, a interpretação e as suas especificidades, e que vêm sendo passadas de geração em geração de instrumentistas, ao longo dos séculos.

O contrabaixo tem diversas escolas como: a Escola Italiana, a Escola Francesa, a Escola Alemã, a Escola Austríaca, a Escola Tcheca, etc…

Essas escolas se difereciam basicamente pelo tipo de arco usado. As Escolas Italiana e Francesa utilizam o arco de modelo francês, enquanto que nas Escolas Alemã, Austríaca e Tcheca, o arco usado é o de modelo alemão, por exemplo.

As escolas de contrabaixo de mesmo arco têm muitos aspectos técnicos parecidos entre si, mas têm também um conjunto de aspectos técnicos e interpretativos diferenciados em quantidade suficiente para serem considerados como uma escola específica.

Com mais de 03 séculos de conhecimentos contrabaixísticos passados através das escolas de contrabaixo, e com tantas escolas de contrabaixo existentes, para que ser auto-didata?

Dificilmente, os seus problemas com o instrumento ou a sua forma de tocá-lo serão algo tão novo ou inovador, que não possam ser acrescentados ou enquadrados a uma escola de contrabaixo.

Quero dizer com isso que, aqueeela sua dúvida atormentadora já pode ter sido resolvida há 100 anos, que aqueeele mistério contrabaixístico auto-intrigante pode já ter sido elucidado há 30 anos, e que aquela sua forma de tocar diferente, exclusiva e quase patenteada já pode ter adeptos e co-autores há 150 anos…

Após 03 séculos de conhecimentos “cadastrados”, é melhor tentar ser diferente já tendo todas as ferramentas nas mãos, do que ficar quebrando pedra que outros já quebraram e até fizeram estrada.

A proposta e a intenção de uma escola são exatamente as de “padronizar” uma forma de tocar, seja tecnicamente ou musicalmente, através de informações e conhecimentos que foram e estão sendo “coletados”, e passar verbalmente esses ensinamentos aos contrabaixistas daquela escola, para que eles não sejam perdidos, assim como os pais passam seus ensinamentos ao filhos…

É interessante ver que as escolas de instrumentos têm “árvore genealógica” com seus nomes mais expressivos: fulano, que estudou com cicrano, que estudou com beltrano, etc.

O que hoje é considerado “tradição”, algum dia foi considerado “inovação”, ou seja, as escolas de instrumento são como o idioma materno: a ele são acrescentadas palavras novas e expressões, mas a estrutura básica é sempre a mesma, e tudo isso é passado a outras gerações, que interagem com outras famílias e pessoas.

Assim como o idioma tem na expressão o seu “mecanismo” principal para que a comunicação se complete, as escolas de instrumento também têm como “mecanismo” a expressividade musical e o apuro técnico, para que o músico possa expressar a sua arte sua arte para si mesmo e para outras pessoas.

Na Música, existem casos impressionantes de instrumentistas auto-didatas, mas acredito que a grande maioria da pessoas não nasceu com vocação para a genialidade e, por isso, penso também que o auto-didatismo contrabaixístico é justificável somente em locais onde não haja professor de contrabaixo, e tolerável na impossibilidade total de se pagar por um.

Antes de fazer essa opção de estudar sozinho, procure se informar em escolas de música e/ou com músicos locais sobre a existência de professor de contrabaixo na sua cidade ou nas imediações, e/ou se informar sobre a possibilidade de cursos regulares gratuitos de contrabaixo, existentes em alguns locais do país.

Caso não haja mesmo um professor de contrabaixo “acessível”, sugiro que o contrabaixista procure ver, sempre que possível, vídeos de contrabaixistas e/ou outros instrumentistas na Internet. Vê-los tocar ou dar aulas são excelentes formas de aprendizado.

Se as aulas estiverem sendo ministradas em outro idioma, não desanime. O importante é se acostumar com isso, e tentar captar o sentido mais abrangente do que está sendo pedido ou passado. Com o tempo, você passará a entender melhor a aula.

Na Música, costumam ser usados muitos termos de expressão musical em Italiano: crescendo, diminuendo, forte, fortíssimo, cantabile, etc.

Saber previamente algumas palavras em Inglês pode ser bem útil: bow= arco; finger= dedo; bars=compasso, etc, além dos números, e das notas musicais, que em Inglês são mais usadas por letras: D=ré; C=dó, etc, e servem tanto para definir as notas, quanto para definir as tonalidades.

Ah, e não se esqueça de se inteirar sobre a pronúncia das letras, para não se embananar, porque A é “ei”, I é “ai” e E é “i”, hahahaha!

Tem uma frase muito interessante que diz: “A História é uma sucessão de fatos, que se sucedem sucessivamente sem sucesso”.

Felizmente, na história do ensino dos instrumentos musicais, as Escolas, seus bons professores e seus bons alunos são responsáveis, há séculos, por essa sucessão de conhecimentos passados adiante, e pelo fracasso dessa frase a cada vez que ouvimos um instrumento bem tocado, pois acreditem: as Escolas funcionam!

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