Artigo – Dedilhado

Por: Voila Marques

Existem dois dedilhados no contrabaixo acústico: italiano antigo (1-3-4) e germânico (1-2-4). O professor opta por ensinar um deles, ou seja, ou se usa um ou se usa outro. Eles são usados até mais ou menos a metade do braço, quando então são usadas 3 posições com o dedilhado 1-2-3.

Quem usa 1-2-4 (escola germânica), vai fazer o Dó com o dedo 1, o Dó sustenido com o dedo 2, e o Ré com o dedo 4. O dedo 3 se movimenta junto com o dedo 4, como se fossem os dois um dedo só.

Quem usa 1-3-4 (escola italiana), vai fazer o Dó com o dedo 1, o Dó sustenido com o dedo 3, e o Ré com o dedo 4. O dedo 2 se movimenta junto com o dedo 3, como se fossem os dois um dedo só.

Quem usa 1-2-3-4 (muito usado no baixo elétrico, e por alguns cbxistas de acústico), vai fazer o Dó com o dedo 1, o Dó sustenido com o dedo 2, o Ré com o dedo 3, e o Ré sustenido com o dedo 4, ou seja, com esse dedilhado aparece mais uma nota.

Na metade do braço do contrabaixo, temos a oitava da corda solta. Por exemplo: na metade da corda sol, temos um outro sol mais agudo, uma oitava acima da corda solta, certo? Perto desse sol temos 3 posições que são tocadas com 1-2-3 (fá – fá sustenido – sol/fá sustenido – sol – sol sustenido/sol, sol sustenido – lá).

A partir da metade do braço (sol, 1 oitava acima da corda solta), o polegar passa a ser usado para prender a corda e a se chamar “capotasto” (0). Ele também poderá ser usado antes desse sol mas, via de regra, o estudo dele começa mesmo no sol, certo?

Assim que o capotasto passa a ser usado, os dedilhados 1-2-4 ou 1-3-4 são substituídos pelas “posições do capotasto” (ou capotasto), que são classificadas em cromática, semicromática e diatônica, todas com dedilhado 0-1-2-3. O dedo 4 passará a ser usado muito eventualmente.

No “capotasto”, as posições são mais flexíveis. Entre os dedos poderá haver intervalos de semitons (cromática – ex: sol – sol sustenido – lá – si bemol), tom e semitons (semicromática – ex: sol – lá – si bemol – si bequadro) e tons e semitom (diatônica – ex: sol – lá – si – dó). Há casos em que é necessário também “abrir” a posição (ex: sol – lá – si – dó sustenido).

O dedo 3 é um dedo “frágil”, que se fortalece com o tempo. Ele pode até não ficar com a precisão do dedo 2, mas nada que o impeça de ser muito bem usado, até mesmo em extensões e pivôs. O dedilhado 1-2-4 “atenua” essa “fragilidade”, porque o dedo 3 sobe e desce junto com o dedo 4. Juntos, eles são considerados um dedo só (para efeito de dedilhado), mas essa mordomia só dura até pouco antes da metade do braço.

Um bom motivo para fortalecer o dedinho “feio”, já que depois ele também tem seus dias de cisne contrabaixista!!

Dedilhado 1-2-3-4 no acústico. E aí?

O problema de usar o tempo todo o dedilhado 1-2-3-4 no contrabaixo acústico, é que força demais a mão. Eventualmente, em extensões e pivôs acho viável, mas a partir da 4ª posição (ré – ré sustenido – mi) e, ainda assim, isso depende também do contrabaixo…

Por não ter traste, as posições no contrabaixo acústico vão diminuindo de tamanho, conforme as posições vão alcançando notas mais agudas. Mesmo assim, o contrabaixista ainda usará muito algumas posições “grandes”, como é o caso da meia-posição (corda sol: sol sustenido – lá – si bemol) e da 1ª posição (corda sol: lá – si bemol – si bequadro).

Colocando mais um dedo e uma nota nessa posição, será impossível manter os dedos totalmente presos e parados na corda, como usualmente fazemos numa “posição”. Numa mesma posição e numa mesma corda só existe um movimento básico: abaixar e levantar os dedos.

Usando o dedilhado 1-2-3-4, será acrescentado a esse movimento básico mais um outro: “abrir” cada dedo sempre que for tocar com o 4º dedo e “fechar”. Assim, a idéia de “posição” fica mais relacionada aos dedos do que à mão.

Sem um bom professor de contrabaixo, dificilmente o aluno conseguirá tocar de forma relaxada com esse dedilhado que, naturalmente, já “abre” a mão mais que o necessário.

Usamos somente o peso do corpo para tocar, sem força. A mão esquerda deve ser precisa e flexível sem ficar “dura” de forma alguma. Uma informação importante: numa mesma posição, o espaço entre todos os dedos usados deve ser igual. No dedilhado 1-2-4, por exemplo, o espaço entre esses dedos é o mesmo. O dedo 3 fica entre os dedos 2 e 4.

Já vi contrabaixistas de elétrico tocarem com dedilhado de contrabaixo acústico, mas conheci e fiz aulas com um grande contrabaixista holandês, Hans Roelofsen, que foi o único contrabaixista até hoje que vi tocar com dedilhado 1-2-3-4 no acústico. Ele tem uma mão bem grande, com dedos muito longos e fortes, e usa a mão esquerda como se fosse um violoncelo.

Os violoncelistas usualmente utilizam o dedilhado 1-2-3-4 e também abrem cada dedo ao tocar (pivô), mas como as posições do instrumento são menores, eles conseguem fazer uma posição com a mão parada e os dedos prendendo todas as 4 notas, sem tensionar a mão, o que é praticamente impossível de ser feito no contrabaixo, mesmo que com um contrabaixo de posições pequenas.

As chances de tendinites no futuro são um caso a considerar, salvo se o aluno estiver sendo bem orientado por um professor de contrabaixo muito bom.

Bem, essa é a minha opinião…

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